quarta-feira, 22 de março de 2017

caminhar sobre as águas desse momento











nasci em  dia de ventania
se quero raízes
que sejam aéreas










você precisa de caos na sua alma. 
para dar nascimento 
a uma estrela dançante.
 Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 20 de março de 2017

Faze de mim um arco-íris...








se tivesse poder eu faria desaparecer de dentro de você toda a preocupação e arrumaria tudo que te oprime, te angustia . te faria um chá tão amoroso que dissiparia o tempo e renasceria em teus olhos toda a esperança e sonhos , até os mais secretos. te arrancaria os sapatos , retiraria as pedras e deixaria uma areia fofa onde teus pés afundariam livres de qualquer peso. prepararia uma mesa farta de sabores onde tua boca se encheria d´agua e de memórias de um tempo quando era menino e contava as correntinhas pra abraçar o pulso e espalhar entusiasmo. quero que no seu tempo, na tua hora volte e encontre-me lá no centro de um infinito de perspectivas, esperanças e probabilidades. é um tempo que gosto de ter e te ofereço com todo meu carinho.









quinta-feira, 16 de março de 2017

A flor do poema se abrindo


É neste mundo que te quero sentir
É o único que sei. O que me resta.
Dizer que vou te conhecer a fundo
Sem as bênçãos da carne, no depois,
Me parece a mim magra promessa.
Sentires da alma? Sim. Podem ser prodigiosos.
Mas tu sabes a delícia da carne
Dos encaixes que inventaste. De toques.
Do formoso das hastes. Das corolas.
Vês como fico pequena e tão pouco inventiva?
Haste. Corola. São palávras róseas. Mas sangram.

Se feitas de carne.

Dirás que o humano desejo
Não te percebe as fomes. Sim, meu Senhor,
Te percebo. Mas deixa-me amar a ti, neste texto
Com os enlevos
De uma mulher que só sabe o homem.


Hilda Hilst; in Poemas Malditos, Gozosos e Devotos







(..)
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.
Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa;
 in Cancioneiro










[bendito o momento
em que o presente
me enche a boca]